Custos fixos são os gastos que a empresa tem todo mês, independentemente de quanto vende ou atende, como aluguel, salários da equipe administrativa, pró-labore e sistemas. Custos variáveis são os que sobem e descem junto com o faturamento, como materiais usados em cada procedimento, repasses a profissionais por produção, taxas de cartão e impostos sobre a receita. Numa clínica, se a agenda fica vazia por uma semana, o aluguel continua igual, mas o gasto com insumos cai. Separar os dois grupos é o que permite calcular a margem de contribuição de cada serviço e o ponto de equilíbrio, que é o faturamento mínimo para pagar todos os custos sem lucro nem prejuízo. Sem essa separação, a empresa não sabe se o problema está no preço, no volume de atendimentos ou numa estrutura maior do que o faturamento sustenta.
Abaixo estão exemplos de custos fixos e variáveis de uma clínica e o cálculo do ponto de equilíbrio com números de um mês.
O que são custos fixos e variáveis
Custo fixo é o gasto que não depende do volume de vendas ou de atendimentos no mês. Custo variável é o gasto que acompanha o volume de vendas ou de atendimentos do mês. O critério é o comportamento do gasto, e não o valor: um aluguel alto e uma assinatura barata de sistema são igualmente fixos.
Fixo também não quer dizer imutável. O aluguel pode ser reajustado e a equipe pode crescer, mas essas mudanças acontecem por decisão de gestão, e não porque o faturamento do mês variou.
Custos fixos e variáveis: exemplos em uma clínica
Os exemplos de custos fixos e variáveis abaixo são típicos de clínicas e consultórios:
| Custos fixos | Custos variáveis |
|---|---|
| Aluguel e condomínio | Materiais e insumos usados nos procedimentos |
| Salários e encargos da recepção e do administrativo | Repasse a profissionais remunerados por produção |
| Pró-labore dos sócios | Taxas de cartão e de antecipação de recebíveis |
| Sistema de prontuário e agenda, internet e telefone | Impostos sobre o faturamento |
| Contabilidade, seguros e manutenção de equipamentos | Exames e serviços terceirizados por paciente |
Alguns gastos têm uma parte fixa e outra variável, como energia elétrica, que tem um consumo mínimo e aumenta com o uso dos equipamentos. Na prática, vale classificar pelo comportamento predominante e revisar quando a operação mudar.
A equipe costuma pesar bastante nos custos fixos. Os encargos e o passo a passo da contratação estão no post sobre como registrar um funcionário na clínica.
Diferença entre custo e despesa
Na contabilidade, custo é o gasto ligado à prestação do serviço, seja direto, como insumos e o profissional que atende, seja indireto, como a depreciação dos equipamentos usados no atendimento. Despesa é o gasto da estrutura administrativa e comercial, como aluguel da recepção, marketing e contabilidade. Para a gestão do dia a dia, porém, a classificação útil é a de fixo e variável, porque é ela que mostra como os gastos reagem quando o faturamento muda.
Você sabe quanto a sua empresa precisa faturar para não ter prejuízo?
Sem separar custos fixos e variáveis, a empresa contrata, reforma e reajusta preço sem saber o efeito no resultado. No serviço de Gestão Financeira, a Método classifica as despesas da empresa e entrega todo mês o relatório gerencial com o ponto de equilíbrio calculado sobre números reais.
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Margem de contribuição
Margem de contribuição é o que sobra da receita depois de pagar os custos variáveis. É esse valor que paga os custos fixos e, depois deles, forma o lucro:
Margem de contribuição = receita − custos variáveis
Numa clínica que fatura R$ 120 mil no mês e tem R$ 65 mil de custos variáveis, entre impostos, repasses, insumos e taxas, a margem de contribuição é de R$ 55 mil, ou 45,8% da receita. De cada R$ 100 faturados, R$ 45,80 ficam para pagar a estrutura e gerar lucro.
A margem de contribuição também se calcula por serviço. Um procedimento com preço alto pode ter margem menor que uma consulta simples, se consumir muito material ou tempo de profissional remunerado por produção. Esse é o ponto de partida da precificação dos serviços.
Ponto de equilíbrio: quanto faturar para não ter prejuízo
O ponto de equilíbrio é o faturamento em que a margem de contribuição paga exatamente os custos fixos, sem lucro nem prejuízo:
Ponto de equilíbrio = custos fixos ÷ margem de contribuição percentual
Na mesma clínica, com R$ 37 mil de custos fixos e margem de contribuição de 45,8%, o ponto de equilíbrio é de cerca de R$ 80,7 mil por mês. Abaixo disso, a clínica tem prejuízo. Acima, cada real faturado contribui com cerca de R$ 0,46 para o lucro. Com faturamento de R$ 120 mil, o lucro é de R$ 18 mil, o que corresponde a 15% de lucratividade.
O ponto de equilíbrio ajuda a testar decisões antes de tomá-las. Contratar uma recepcionista a mais aumenta os custos fixos e eleva o faturamento mínimo necessário. Antes da contratação, a conta mostra quantos atendimentos a mais serão necessários para pagá-la. O mesmo raciocínio orienta o fluxo de caixa e o tamanho da reserva para meses mais fracos.
Perguntas frequentes sobre custos fixos e variáveis
O que são custos fixos e variáveis?
Custos fixos são gastos que não mudam com o volume de vendas ou atendimentos, como aluguel e salários administrativos. Custos variáveis acompanham o faturamento, como insumos, repasses por produção, taxas de cartão e impostos sobre a receita.
Quais são exemplos de custos fixos e variáveis?
Em uma clínica, são fixos o aluguel, os salários da recepção, o pró-labore, o sistema de prontuário e a contabilidade. São variáveis os materiais dos procedimentos, os repasses a profissionais por produção, as taxas de cartão e os impostos sobre o faturamento.
Imposto é custo fixo ou variável?
Os impostos sobre o faturamento, como o DAS do Simples Nacional, ISS, PIS e Cofins, são variáveis, porque acompanham a receita. A exceção é o ISS fixo por profissional, possível para sociedades uniprofissionais fora do Simples, que se comporta como custo fixo, assim como taxas anuais, como alvarás.
O que é margem de contribuição?
É a receita menos os custos variáveis. Ela mostra quanto sobra para pagar os custos fixos e formar o lucro. Pode ser calculada para a empresa toda ou para cada serviço, o que ajuda a definir preços.
Como calcular o ponto de equilíbrio?
Divida os custos fixos do mês pela margem de contribuição percentual. Uma empresa com R$ 37 mil de custos fixos e margem de contribuição de 45,8% tem ponto de equilíbrio de cerca de R$ 80,7 mil de faturamento por mês.



